16 de março de 2013
Verdadeira mentira
O que fica do que era infindável
É a certeza de que tudo acaba
Quando menos se queria acabado
No momento nada oportuno
Num instante de doer tantas vezes
Um sentir que não fora cuidado
Um viver que não podia ter existido
O início de mais uma vez
Outra vez de mentiras sinceras
De beijos e olhares desmerecidos
Ao final de um engano entre todos
Que não se compara à nenhum
Lai Paiva
9 de março de 2013
Poeminha simples de amor
Dele eu só preciso dele mesmo
Das asas que dá ao amor
Do encanto que põe no presente
Da liberdade que devolve ao querer
Da saudade de todo instante
Dos meus desejos realizados
Do prazer que devolve às minhas horas
Pra dele eu ser inteira e feliz
Lai Paiva
4 de março de 2013
Dos dias
(marie desbons)
De tempo em tempo
Nem mais um segundo
Das horas que foram
Instante algum voltará
E por dias inteiros
Nenhum dia será
Como se fosse meu...
Lai Paiva
23 de fevereiro de 2013
Sobre o estar só
A gente não aprende a ser só. A gente não aprende a gostar de ser só. A gente aprende apenas a estar só. Seja ou não por opção. Aprendemos a não contar com a presença de outra pessoa, ou de outras, por saber que elas não chegarão a qualquer momento, nem tampouco ficarão por todos os momentos seguintes. Aprendemos a não esperar por alguém que nos resgate da solidão que nos mantém aprisionados. Aprendemos que se não nos acostumarmos a estar apenas com nós mesmos, será muito mais difícil amanhecer, anoitecer, ser. Aprendemos a morar sozinhos dentro de nós. E aprendemos a ver filmes sozinhos, a ouvir canções sozinhos, a preparar o jantar e pôr a mesa para apenas uma pessoa, a dormir sozinhos, e a não ter com quem dividir as cobertas. E, mesmo que não bastemos à nós mesmos, é preciso nos manter aqui, dentro e fora de nós, não nos perder de quem somos, nem irmos embora de onde estamos, porque somos a única e fiel companhia constante de nós mesmos, a presença palpável, a voz que ouvimos, o rosto que podemos ver refletido no espelho, a certeza de que resta-nos alguém. Somos a ausência do diálogo e do abraço preenchido. Somos o único perfume e os únicos passos que podemos ouvir. Mas somos reais. E nos salvamos dia a dia. Porque a solidão pode nos levar tão longe. Pode nos roubar a identidade. Pode nos levar pra sempre. É preciso não esquecer de olhar pra si mesmo, ainda que não vejamos mais beleza alguma ao nos olharmos nos próprios olhos, pois é quando nos vemos que percebemos que existe algo além do que sabemos que não existe. E saber disso atenua o estar só, que, muitas vezes, perturba e amedronta como aqueles pesadelos infantis, que nos faziam ter tanto medo de dormir só, ou de sair da cama. O perigo está em nos deixar levar, pois o caminho pode não ter mais volta...
Lai Paiva
17 de fevereiro de 2013
1 de fevereiro de 2013
Algum dia
Um dia desses te invado
Te conheço por dentro
E fico um pouco ali
Descobrirei teus segredos
Te contarei os meus planos
E me despirei para ti
Saberei aonde iremos
Com teus passos secretos
E não voltarei mais aqui
Onde nunca te encontro...
Lai Paiva
24 de janeiro de 2013
As nossas horas
Nas horas vão-se os meus instantes
O tempo de se estender pra sempre
No sempre que eu tanto beijo agora
Por tantas horas ainda hei de ir
Pra dentro dos minutos dele
Nele bem querer medir
Aquilo que não tem tamanho
Isto que o sentir não conta...
Lai Paiva
19 de janeiro de 2013
Ao tempo, as minhas horas
Enquanto isso
A vida passa
E o instante
Morre
Enquanto passo
Há quem fique
E o momento
Foge
Enquanto durmo
A hora encerra
E o que me resta
Anoitece
Enquanto penso
Nada se explica
E o que concebo
Ferve
Enquanto isso
A escrita me sorve
E o silêncio
Convence
Lai Paiva
17 de janeiro de 2013
Entre quatro paredes
Guardava o amor dela
Para amá-la em segredo
Entre quatro paredes
Pareciam reais
Quando ninguém os via
Entre quatro paredes
Eram cheiro e arrepio
E umas tantas palavras
Entre quatro paredes
Ela o tinha sem ter
Ele a ganhava tão fácil
Entre quatro paredes
Entre quatro paredes
Perfeito era o instante
Detido, o viver...
Lai Paiva
14 de janeiro de 2013
Tão
É tão mais que perfeito
O tão imperfeito amor
O tão imperfeito amor
Tanto inquieta a palavra
E quão doloroso o amar
É tão volumoso o querer
Bem sem medida o beijar
Mais que tórrida a paixão
E tão sem sentido o deixar
Tanto desejo seus risos
Quantos olhares eu guardo
Pouco é tão tudo pra mim
Mais que morrer sem vivê-lo
Vivo insistindo em amar
E tão de amor morrerá
A ânsia de tê-lo pra mim...
Lai Paiva
11 de janeiro de 2013
Sentir sem razão
Na desordem dos meus sentidos
Não vejo mais razão pra sentir
Sentir nada do que fora vivido
Viver mais nada do que morreu
Que na morte de todas as coisas
Há sempre mais um pouco a sentir
Pela vez derradeira que ainda vive
E que leva um pouco de tudo
De todos os sentires de outrora
Antes que a gente se acabe
Com tudo que já nem mais resiste...
Lai Paiva
5 de janeiro de 2013
De perguntas e respostas
O que seria de mim
Se não fossem as palavras?
O que seriam das palavras
Se não fossem minhas?
Para onde eu iria
Se não fosse a música?
Para que há a música
Se não for me levar?
Como sentir que eu existo
Se não existisse a poesia?
Como não conceber a poesia
Se ela existe junto comigo?
Quem seria eu mesma
Se não fosse o que eu sinto?
O que eu diria de mim
Se não fosse o meu silêncio?
Lai Paiva
1 de janeiro de 2013
Se você quiser me perder
Me perca bem devagar
Não tenha pressa em ir
Deixe o seu beijo em mim
Em cada espaço que é seu
Inspire mais versos de amor
E deixe que eu os diga ao ouvido
Olhe pra mim sem tristeza
Beije-me com esses seus olhos lindos
Que você já é toda a saudade
Pra você vou guardar meus abraços
Se acaso reencontrar os seus braços
Vá bem devagarinho, meu bem
Não sei ficar aqui sem você
Nem vou acostumar de repente
Pois sou tão só nossa ainda
E só pensei em te amar para sempre
Não em viver sem nós dois como agora...
Lai Paiva
30 de dezembro de 2012
Feliz Ano Novo!
No final das contas, é o fim de mais um ano. Mais um de muitos que
hão de vim. Mais um fim. Porque tudo o que começa, termina. Cedo ou tarde. Nada
tem a extensão de durar para sempre. O para sempre dura o tempo suficiente da
fantasia de cada um. Isso, para aqueles que têm fantasias.
Foram
dias, meses, muitos momentos encontrados, muitos perdidos. Pessoas que entraram
nesses dias sem encontro marcado. Pessoas que ficaram por meses. Pessoas que
deram à um dia a duração de um ano. Instantes de lembrar por quanto houver
memória. Instantes de esquecer com urgência. Trezentos e sessenta e cinco
amanheceres. Esperanças roubadas e reencontradas. Sentimentos novos e
assustadores. Maravilhas comoventes.
Perdas
necessárias. Ganhos merecidos. Descobertas juvenis. Sonhos de turvar os olhos.
Tudo passado à limpo, em capítulos, dia a dia desses tantos dias que se
despedem. E chega o momento do aceno. De olhar pela última vez para trás e
deixar tudo guardado lá. As certezas que nunca se fizeram certas. As incertezas
tão precisas. A relação tão estreita com a dor. A relação tão desgastada com o
amor. As relações de amizade mal sucedidas. As diferenças que não passaram
indiferentes. Os conflitos internos que roubaram a beleza dos mais belos olhos.
Tudo deve ficar neste ano. Porque o novo deve vim como uma página em branco.
Pronto para ser repaginado, reescrito, reestruturado. Como nascer de novo.
Livre das tristezas e das alegrias que vemos em despedida.
Que
dois mil e doze fique de fato no seu lugar. Que dois mil e treze venha nos
resgatar e nos leve pra si. Que tudo seja novo. Novos dias e novos
aprendizados. E que estejamos preparados para tudo o que nos pegou de surpresa
neste ano que se finda. Que viver seja algo mais doce, suave, brando. Que haja
menos adversidades e mais coragem. Mais saúde e menos desilusões. Mais
sentimentos verdadeiros e menos solidão.
Que
encontremos a felicidade que já havíamos desistido de procurar. E as respostas
pras nossas perguntas mais secretas. Que tenhamos mais tato pra lidar com as nossas
inseguranças e mais calma pra tratar as frustrações. Que possamos nos magoar
menos, e não macucar mais ninguém.
Que
a verdade vista-nos um a um, dos pés à cabeça. E que a paz comece dentro de
todos nós.
Que
seja um ano de fato novo. Melhor que este que passa. E supere as mais simples
expectativas.
Que,
assim como eu, todos possam ter os dias refeitos e renascer pra vida. Porque o
tempo não espera ninguém.
Um
feliz ano novo. Com, no mínimo, dois mil e treze motivos para festejar!
Meu
abraço terno,
Lai
Paiva
29 de dezembro de 2012
Eu também
Todo mundo encontra todo mundo ao acaso
Ou às vezes marca de encontrar alguém específico
Todo mundo experimenta a ansiedade da espera
Ou às vezes nem há tanto assim pra esperar
Todo mundo se apaixona sem estar preparado
Ou às vezes já estava tão preparado sem saber
Todo mundo se vê desejando mais que podia
Ou às vezes nada mais é que o desejo em pessoa
Todo mundo espera de alguém o melhor beijo
Ou às vezes aquele beijo é tudo o que faltava
Todo mundo reserva o maior abraço pra alguém
Ou às vezes já é tão de alguém que se assusta
Todo mundo sucumbe ao amor algum dia
Ou às vezes o amor se guarda por décadas
Todo mundo se descobre escritor por instantes
Ou às vezes se transforma em palavras pra alguém
Todo mundo sorri o melhor sorriso pra admirar
Ou às vezes colhe as alegrias no outro
Todo mundo chora a ausência de alguém
Ou às vezes nem se sente existir à distância
Todo mundo ama mesmo sem ser amado
Ou às vezes nem sabe o quanto é
Todo mundo vive suas histórias de amor
Ou às vezes fantasia que as vive sozinha
Todo mundo encontra o seu par ideal
Ou às vezes desiste de querer encontrar
Todo mundo cria o seu "para sempre" e vive
Ou às vezes morre-se sem se tornar eterno pra alguém
Todo mundo nasce no instante em que se descobre amando
Ou às vezes acaba-se nesse mesmo instante
Todo mundo acha perfeito um alguém cheio de falhas
Ou às vezes as falhas são o que há de mais lindo
Todo mundo quer alguém que o leve pra si
Ou às vezes ninguém vai à lugar algum
Todo mundo tem os sonhos mais impossíveis
Ou às vezes o outro é seu único sonho
Todo mundo é grande demais quando alguém está junto
Ou às vezes nem cabe em si quando se é acarinhado
Todo mundo tem uma vida inteira pra dividir com alguém
Ou às vezes a vida nunca acaba quando chega ao fim...
Lai Paiva
27 de dezembro de 2012
O Ultimo Sol
A tarde estava ao meio quando
Oliver parou o carro em frente à casa de Coraline pra buscá-la. Seria mais um
dos encontros dentro do carro, pelas estradas que os levavam pra onde eles mais
gostavam de ir. Ela já o estava esperando com uma ansiedade palpável, típica
dos apaixonados. Havia prendido o cabelo como ele gostava e estava usando um
vestido solto e curto, que lhe dava uma leveza acalentadora. Usava brincos
longos, mas delicados e havia pintado os lábios do mesmo vermelho que atribuía
ao instante exato em que encontrava os lábios dele.
Oliver estava charmoso, simples e
atraente. Por trás dos óculos escuros que usava estavam os mesmo olhos
castanhos inebriantes de todos os encontros, só que, desta vez, estavam
emoldurados de uma melancolia contagiante, o que parece que enaltecia ainda
mais a sua beleza e antecipava uma tristeza já sabida.
Eles seguiram por longas horas
perseguindo paisagens, algo mágico, que só ele a fazia experimentar. O céu
estava de um tom laranja avermelhado que comovia os olhares. O sol já estava se
despedindo deles. E eles, daquele instante tão raro. Raro como o que traziam
dentro de si e que nem um nem outro sabiam ao certo o quê.
As árvores dançavam, em sintonia
com as canções que ele pusera pra tocar dentro do carro e que mais parecia que
ecoavam de dentro dele. Depois de algum tempo o cheiro do mar já anunciava a
proximidade. Era o que Oliver planejava: levá-la pra perto do sol, tendo o mar
como espectador do estado de encantamento a que estava submetendo Coraline. Era o melhor presente que poderia dar-lhe. Ele
sabia.
Ficaram parados no alto de uma ladeira,
de onde se podia admirar tudo ao mesmo tempo, toda aquela irretocável
maravilha, que era o pôr do sol apaziguando o mar. E aquele instante os uniu
intimamente, sem que eles sequer se
tocassem. Os lábios dela permaneciam impecavelmente pintados, intocáveis, mas
ela o havia beijado amorosamente por trás daquele vermelho intenso. E suas mãos
se entrelaçaram com uma ternura já saudosa por saber-se ser o último, aquele
pôr do sol.
As horas passaram, enfim, e o dia
já não estava mais lá, dando espaço à ausência de cores que a noite trazia
consigo. A mesma ausência de cores daqueles últimos minutos em que eles estavam
um na presença do outro.
Fizeram o percurso de volta à
casa de Coraline sem muito dizer. Sabiam que quase nada mais restava a ser
dito. Nenhum discurso mais salvaria aquele sentimento tão único que eles
sentiam um pelo outro. Tudo estava perdido. A cor, o som, a vida. Não naquelas
paisagens, mas onde apenas eles conheciam e ousaram estar: dentro de cada um.
O dia seguinte viria, mas nunca
mais haveria sol nas manhãs em que eles amanheceriam sem os beijos vermelhos
somente deles.
25 de dezembro de 2012
Escrita
Queria escrever sem cessar
E continuar escrevendo por linhas
Escrever sem medir espaços
Dissolver meu pensar em palavras
E me sentir em cada letra minha
Me despir ao descrever
Me livrar ao elucidar
Numa tentativa branda
De me transformar em algo
Com o sentido que sempre busquei
A grandeza dos meus sentimentos
E o formato dos meus discursos
Quem sabe assim ao ser lida
Eu tome a forma bela dos poemas
Que nunca pude tirar de dentro de mim...
Lai Paiva
23 de dezembro de 2012
Colhida
(Ilustração: Suzy Parisotto)
Sem amar devagar
Eu o amei tão urgente
Um sentir bem aflito
Nos meus beijos pousados
O sentido anônimo
Que ele me apresentou
Ao levar minha vida
Pra um lugar diferente
Onde pude abraçar
Um prazer sem igual
Em ser-me de alguém
Mas esse mesmo amor
Que já um dia salvou
Hoje colhe o que havia
De alegrias plantadas...
Lai Paiva
16 de dezembro de 2012
Tão dele...
Dele é a minha liberdade
Nele está minha verdade
Por ele eu sou só vontade
Com ele vivo a melhor saudade
Pra nós dois basta a eternidade
Porque juntos damos lugar à melhor felicidade...
Lai Paiva
8 de dezembro de 2012
Para amar
Do amor espero amar
Amar como eu posso
E bem sei que aprendi
Pra sentir-me inteira
Se em metade estiver
Quando a vida passar...
Lai Paiva
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