31 de março de 2013

Poetizada


Eu não tinha versos
Até meu sentir ser poesia
Eu não me conhecia por dentro
Até que a escrita se fez minha
Eu não media os sentimentos
Até que eles se avolumaram em silêncio
Eu não cabia mais em mim
Até que transbordei em palavras
Eu não escolhi o que escrever
Até que fui escolhida pra isso
Eu não poderia sentir sem viver
Até que vivi a poesia
Eu não poderei ser diferente
Até os meus últimos versos...


Lai Paiva




30 de março de 2013

Aqui dentro





Hei de amar o amor para sempre
Não o amor ao qual dei um nome
Não aquele que se disse amor
Amarei isso que há dentro de mim
Que juntava aos montes e nem sabia
E soube quando não deveria sentir
O amor que dei sem abrir os olhos
Que sei dar sem recebê-lo em troca
O qual repousa nos meus lábios tristonhos 
Esse amor para o qual estou pronta
Esse amar que me deixa meio tonta
E talvez algum dia eu encontre ao meu lado
O amor que alguém traga dentro de si
Um amor que possa juntar-se ao meu...



Lai Paiva




28 de março de 2013

Eles


Ela o amou com uma verdade tão enfeitada de outros sentimentos profundos
Ele nem a si mesmo amou, pois nunca soube sentir algo assim de verdade
Ela foi dele mais que podia, como jamais alguém a teve igual
Ele nunca sequer existiu para ser de alguém algum dia
Ela sonhou com os dois juntos por todo o sempre que era deles
Ele jamais poderia ser o futuro jurado em abraços
Ela viveu para ele sem saber que ele a mataria aos poucos com beijos
Ele a matou dia a dia mentindo que era a sua vida
Ela se perdeu por amor
Ele a perdeu por querer
Eles já eram, sem ao menos terem sido...


Lai Paiva



Depois de tudo, nada




Depois do contratempo
Há de haver um tempo
Pra recompor os instantes
Que sobraram do que passou
E quando nada do outro restar
Vou olhar dentro de mim
Pra saber-me livre de nós
Como o viver me deve que seja...

Lai Paiva




27 de março de 2013

Versificada




Sou verso e reverso
O avesso de tudo
A palavra proferida
O silêncio demasiado
E haja o que houver
Por mais que me esgote
Sempre restará um suspiro
Um último entre tantos
Que ninguém me tomou
Pra descrever-me por fim
E ser mais que palavras

Lai Paiva





26 de março de 2013

Tanto fui nada


E assim eu fui tanto
Quando nada fui
Pouco restei-me
Depois que voltei
Daquela mentira maldita
Que me fez mais dela 
Que já fui minha um dia...

Lai Paiva



Pra esquecer


Dói em mim
O tempo que não cala
As horas que me fitam
O instante que não finda
E eu em busca de mais
Mais um dia pra levar o pensamento
Pra onde eu não possa buscá-lo
Que nem pra esquecer
Quero mais desejar

Lai Paiva


25 de março de 2013

No tempo




Tenho que dizer adeus
Àquilo que nunca fui
Esta que achei que era
Quando me olhava e não via
Quem estava atrás dos meus olhos
Tenho que ir embora daqui
De dentro dos meus enganos
Pra longe do que me seduz
E rouba os meus sentidos
Tenho que me convencer
Que é tempo de acreditar
Em alguma coisa real
Antes que a vida acabe
Tal qual a ilusão que beijei
E tomei como minha verdade...


Lai Paiva




19 de março de 2013

Com desamor, ao ex amor


Dos meus sentimentos, cuido eu
Do amor de ontem
Ao desamor de agora
E de quem de nada cuidou
O amor se descuide
E lhe falte pra sempre

Lai Paiva

Neste Instante


Ofereço o sofrer
A quem possa atenuar
Os meus olhos
A quem possa olhar
Meus sentidos
A quem possa cuidar
Minha escrita
A quem possa guardar
Meu maior sentimento
A quem possa amar
Meu momento ruim
A quem possa mudar
Minha tristeza de agora
A quem possa abraçar

Lai Paiva


17 de março de 2013

Ressentida



Amei quem deveria odiar
Odiei cada instante sem ele
Quando deveria evitar
Amei como se ama uma vez
À quem vez alguma deveria gostar
Olhei para ele sem ver de verdade
Vi o que ele mentia tão bem
Não a verdade suja que era
Dei tudo o que desmerecia
Sem nada em troca ganhar
Além das mentiras sinceras
Que tinha o dom de lançar
Pra me ter tão rendida
Aos seus desafetos cruéis
Que eu beijava com tanta paixão
Achando que beijaria pra sempre
Sem saber que vivê-lo era como morrer em seguida
Condenada a ser uma entre tantas
Num abraço que ele jurava fiel...

Lai Paiva

16 de março de 2013

Verdadeira mentira


O que fica do que era infindável
É a certeza de que tudo acaba
Quando menos se queria acabado
No momento nada oportuno
Num instante de doer tantas vezes
Um sentir que não fora cuidado
Um viver que não podia ter existido
O início de mais uma vez
Outra vez de mentiras sinceras
De beijos e olhares desmerecidos
Ao final de um engano entre todos
Que não se compara à nenhum

Lai Paiva

9 de março de 2013

Poeminha simples de amor



Dele eu só preciso dele mesmo
Das asas que dá ao amor
Do encanto que põe no presente
Da liberdade que devolve ao querer
Da saudade de todo instante
Dos meus desejos realizados
Do prazer que devolve às minhas horas
Pra dele eu ser inteira e feliz


Lai Paiva


4 de março de 2013

Dos dias




(marie desbons)


De tempo em tempo
Nem mais um segundo
Das horas que foram
Instante algum voltará
E por dias inteiros
Nenhum dia será
Como se fosse meu...


Lai Paiva


23 de fevereiro de 2013

Sobre o estar só




A gente não aprende a ser só. A gente não aprende a gostar de ser só. A gente aprende apenas a estar só. Seja ou não por opção. Aprendemos a não contar com a presença de outra pessoa, ou de outras, por saber que elas não chegarão a qualquer momento, nem tampouco ficarão por todos os momentos seguintes. Aprendemos a não esperar por alguém que nos resgate da solidão que nos mantém aprisionados. Aprendemos que se não nos acostumarmos a estar apenas com nós mesmos, será muito mais difícil amanhecer, anoitecer, ser. Aprendemos a morar sozinhos dentro de nós. E aprendemos a ver filmes sozinhos, a ouvir canções sozinhos, a preparar o jantar e pôr a mesa para apenas uma pessoa, a dormir sozinhos, e a não ter com quem dividir as cobertas. E, mesmo que não bastemos à nós mesmos,  é preciso nos manter aqui, dentro e fora de nós, não nos perder de quem somos, nem irmos embora de onde estamos, porque somos a única e fiel companhia constante de nós mesmos, a presença palpável, a voz que ouvimos, o rosto que podemos ver refletido no espelho, a certeza de que resta-nos alguém. Somos a ausência do diálogo e do abraço preenchido. Somos o único perfume e os únicos passos que podemos ouvir. Mas somos reais. E nos salvamos dia a dia. Porque a solidão pode nos levar tão longe. Pode nos roubar a identidade. Pode nos levar pra sempre. É preciso não esquecer de olhar pra si mesmo, ainda que não vejamos mais beleza alguma ao nos olharmos nos próprios olhos, pois é quando nos vemos que percebemos que existe algo além do que sabemos que não existe. E saber disso atenua o estar só, que, muitas vezes, perturba e amedronta como aqueles pesadelos infantis, que nos faziam ter tanto medo de dormir só, ou de sair da cama. O perigo está em nos deixar levar, pois o caminho pode não ter mais volta...


Lai Paiva

17 de fevereiro de 2013



Não sei se saberia
Viver sem te saber
Mas morro a cada hora
Sabendo-te como sei
Afora da vida inteira
Que passa olhando pra nós...

Lai Paiva

1 de fevereiro de 2013

Algum dia


Um dia desses te invado
Te conheço por dentro
E fico um pouco ali
Descobrirei teus segredos
Te contarei os meus planos
E me despirei para ti
Saberei aonde iremos
Com teus passos secretos
E não voltarei mais aqui
Onde nunca te encontro...

Lai Paiva

24 de janeiro de 2013

As nossas horas



Nas horas vão-se os meus instantes
Ao lado do que é somente nosso
O tempo de se estender pra sempre
No sempre que eu tanto beijo agora
Por tantas horas ainda hei de ir
Pra dentro dos minutos dele
Nele bem querer medir
Aquilo que não tem tamanho
Isto que o sentir não conta...


Lai Paiva

19 de janeiro de 2013

Ao tempo, as minhas horas



Enquanto isso
A vida passa
E o instante 
Morre

Enquanto passo
Há quem fique
E o momento
Foge

Enquanto durmo
A hora encerra
E o que me resta
Anoitece

Enquanto penso
Nada se explica
E o que concebo
Ferve

Enquanto isso
A escrita me sorve
E o silêncio
Convence



Lai Paiva




17 de janeiro de 2013


Entre quatro paredes
Guardava o amor dela
Para amá-la em segredo
Entre quatro paredes
Pareciam reais
Quando ninguém os via
Entre quatro paredes
Eram cheiro e arrepio
E umas tantas palavras
Entre quatro paredes
Ela o tinha sem ter
Ele a ganhava tão fácil
Entre quatro paredes
Perfeito era o instante
Detido, o viver...

Lai Paiva