7 de fevereiro de 2012

Beijo Nosso



(Amanda Cass)


Beijo os teus sentidos
Sinto-os me confundir
Confundo o nosso bem
Bem nosso é o prazer
Prazer nos lábios teus
Lábios que levam ao longe
Ao longe só vou contigo
Contigo sem nem pensar
Pensei não ser assim
Assim sendo tão íntimos
Íntimos e apenas dois
Dois em apenas um
Um tão meu sem ser
Ser quem melhor somos
Somos no instante exato
Exato do encontro raro
Raro como encontrar
O que encontro no beijo teu
Teu beijo perfeito meu
Meu jeito de experimentar
A vida que se pôs ausente
Ausente do meu sonhar
Sonhar te faço agora
Agora que mal dá pra esperar...

Lai Paiva 






6 de fevereiro de 2012

Ah, se...

Quero mais do que tenho
Gosto mais do que posso
Espero mais do que chego
Apresso mais do que o tempo
Venero mais do que vejo
Abraço mais do que alcanço
Beijo mais do que hesito
Sinto mais do que mostro
Sonho mais do que vivo
Vivo tanto no outro
E o outro tanto em mim...

Lai Paiva


5 de fevereiro de 2012

De mim mesma



Pra mim
Tudo
Por mim
Mais
Em lembrar de mim
Sou
Ao meu lado
Estou
Às minhas mãos
Dou
Tão somente comigo
Vou
De dentro de mim
Ecoou
O sentir só meu
Que o sentir levou...

Lai Paiva





2 de fevereiro de 2012

Nas horas


Tal qual noite
Anoiteço apaixonada
Tal qual dia
Amanheço amando
Tal qual tarde
Entardeço saudosa
Tal qual madrugada
Madrugo sentindo tudo de novo...

Lai Paiva

1 de fevereiro de 2012

Ser-te



De tudo quero ser-te muito
O querer que tu muito queiras
O sentir que te excede o beijo
O ter que nunca teves antes
A cor que te enfeita as horas
O som que te canta o amor
A vida que te resta tanto
A companhia pros teus encantos
O tudo que te completa mais
O bem que ninguém mais te faz...

Lai Paiva

31 de janeiro de 2012

Eu gosto é de nós dois


Gosto quando me beija a boca
Quando me põe tão louca
E quebra-me barreiras
Sinto quando me abraça inteira
Quando me ama à tua maneira
E me transfere o amor
Vivo quando me toma sua
Quando me vejo nua
Coberta só de carinho
Amo quando me sinto nossa
Quando não há quem possa
Tirar-nos nós dois de nós...

Lai Paiva

30 de janeiro de 2012

Amo


Amo o amor brando e sereno
Aquele que não põe em risco
Meu jeito de amar demais
Amo o amor leve e exato
Aquele que me diz certezas
Ainda que não me diga nada
Amo o amor que inspira e afaga
Aquele que me transforma em versos
Aquele que me acolhe a alma
Amo o amor que é verdadeiro
Aquele que em sua verdade
Me põe a vivê-lo inteira...

Lai Paiva

26 de janeiro de 2012

À espera de




Saudade de ser-me sua
Desejo no ter-lhe meu
Espera pra volta nossa
Afagos pra dar-lhe enfim
No tempo de se contar
Pros olhos pousarem juntos
Bem junto aos risos seus
Por ter-me de novo inteira
Assim que juntar-se á mim...

Lai Paiva


24 de janeiro de 2012

Mistura de nós

(Rogério Fernandes)


Confundo meu sentir com o teu
Teu amar se mistura ao meu
Meu olhar toma conta do teu
Teu beijar cabe bem no meu
Meu abraçar sabe tão do teu
Teu discurso enamora o meu
Meu silêncio fala tanto ao teu
Teu corpo conhece bem o meu
Meu cheiro se confunde ao teu
Teu instante é o instante meu
Meu viver dá as mãos ao teu
Teu momento recolhe todo o meu
Meu sonhar desperta muito o teu
Teu presente é o presente meu
Meu tudo, meu tanto, meu sempre
Teu idem, teu idem, teu idem...

Lai Paiva


20 de janeiro de 2012

De tudo e sempre dar-te



(Amanda Cass)

Dou-te sempre que queiras
O sentir que te beija a palavra
Dou-te sempre que te ausentes
A saudade vestida de versos
Dou-te a cada dia que vivo
Um passo a mais pra nós dois
Dou-te nos olhares que fito
A minha porção que é tua
Dou-te no meu amanhã
O teu amanhecer colorido
Dou-te no meu desejo maior
A melhor companhia pra ser-te
Dou-te tudo e o todo de agora
No desejo de dar-te pra sempre...

Lai Paiva



19 de janeiro de 2012

Sentindo



De tanto sentir tudo
Tudo me sente em nada
Nada me ausenta tanto
Tanto quando sinto muito
Muito de um sentir sentido
Sentido quase lhe falta
Falta sentir o que sinto
Sentindo como me causa
Causa desse sentir metade
Metade do que sinto inteira
Inteira sentir de verdade
Verdade é que tanto me custa
Custa beber da saudade
Saudade que meu sentir degusta
Antes de parecer maldade...

Lai Paiva



Lai Paiva

De nós dois


De um querer comum
De um receio algum
De um sentir intenso
De um gostar imenso
De um carinho nutrido
De um ter sem sentido
De um bem provado
De um prazer demasiado
De um declarar ousado
De um calar amado
De um encontro perfeito
De um risco aceito
De um amar de repente
De um viver urgente
De um, do outro
De nós dois...

Lai Paiva

17 de janeiro de 2012

Aqui e sempre



(Chagall)


Te sinto aqui
Aqui assim
Assim em mim
Em mim tão meu
Tão meu querer
Querer só teu
Teu beijo meu
Meu cheiro teu
Teu riso inteiro
Inteiro e lindo
Lindo em tudo
Tudo por vez
Vez de te amar
Amar daqui
Daqui e daí
Daí de dentro
Dentro de nós...

Lai Paiva

Amanhã


Amanhã beijarei a saudade
Bem nos olhos, mais nos lábios
Amanhã serei bem mais feliz
E serão tão urgentes e nossas
As horas de nos sentirmos
Amanhã é tão cedo pra ser
E tão tarde pra demorar
Tanto há pra caber
Nesse todo querer
Que amanhã, mal posso esperar
Pra te olhar frente à mim
E me ver...

Lai Paiva


16 de janeiro de 2012

Tão em tão pouco




Tua no sempre que é nosso
Nosso é o instante de amar
Amar, que sentimos assim
Assim é que quero estar
Estar nos teus dias inteiros
Inteiros pro nosso viver
Viver, que somos só nossos
Nossos de querer e estar
Estar cada vez mais aqui
Aqui no meu riso mais teu
Aí no teu verso mais meu
Na certeza de ser já tão tua
Tua desse meu jeito meu
De ser tanto em tão pouco...

Lai Paiva



De verso em verso, o viver




Naquela tarde eu resolvi me apresentar a mim mesma, como se nunca antes tivesse me dito ou me enxergado ao me olhar refletida nos muitos espelhos pelos quais passei.
Precisava fazê-lo para não correr o risco de não me reconhecer em meio às tantas que há em mim.
Era um domingo chuvoso. O cheiro que a chuva trazia me tirava de onde eu estava, e conduzia os meus passos para dentro de mim. Então me pus embaixo das cobertas e voltei meu olhar só para mim, como nunca o fizera antes.
Chamo-me Macela.  Tenho nome de flor, mas sou feita de palavras. Umas tantas, entre muitas.
Escrevo mais que vivo. Vivo pra escrever. Escrevo e me sinto viva. Mais ou menos isso.
Os meus instantes terminam quando a inspiração começa. E me ponho a escrever. Tive e tenho muitas alegrias diluídas em versos. Muitos amores transcritos em linhas sentimentalistas, bem como os desamores, postos em linhas melancólicas. Mas não me importo em ter momentos ruins, momentos tristes, pois eu os transformo em poesia. Não que as desilusões sejam bem vindas, mas delas eu extraio versos tão apreciáveis quanto aqueles que me fazem sorrir.
O amor permeia a minha escrita, mas ele sempre me escapou ao findar-se a poesia. Como se de fato as minhas histórias tivessem de ser efêmeras para que outras viessem para serem vividas e escritas. E embora tantas pessoas tenham passado sem ficar, nunca me senti tão só, pois a solidão sempre me foi companhia e conduzia as minhas palavras, as vestia de versos e me impulsionava a escrever.
A paixão chegava e se esvaía também à medida que a descrevia e destinava.
A saudade em certos momentos deu uma leveza linda aos meus versos, noutros, os fez pesar expressivamente. Se não os tivesse escrito não os teria podido carregar.
As minhas amizades, sempre tão afáveis, eram como se dessem cor, sabor, tom, à minha escrita. E eu escrevia e escrevo para presentear, sendo pra mim tão importante o que escrevo. É onde pouso os meus sentimentos mais puros, mais intensos, mais significativos.
Os versos, muitas vezes, representam os beijos e abraços que eu deixei de dar, por não ter sido oportuno ou por terem se ausentando outros lábios, as maçãs de algum rosto, e outros braços.
Nunca me senti tão livre como quando escrevo. Sinto que prefiro escrever a viver. A escrita me faz sentir o que não deveria, me permite ir aonde meus pés não me levariam. Aonde eu não deveria chegar.
A escrita me permite fantasiar as horas que eu queria pros meus dias, os dias que eu queria pro meu viver.
Às vezes escrevo para não falar. Nunca o inverso. Poderia ter sido privada da capacidade de falar, nunca da de escrever. É como se as palavras fossem o ar que respiro, como se elas mantivessem em sintonia os meus sinais vitais, os meus sentidos.
Os meus sentimentos se harmonizam quando escrevo. A minha poesia imprime o que trago pelo avesso, por dentro, aonde quase ninguém chegaria, caso não escrevesse.
No papel deito os meus devaneios. Os meus segredos disfarçados de ficção. Os meus desejos maiores. As minhas experiências marcantes. E aquilo que não vivenciei, mas bem queria.
Escrevo pra mim aquilo que gostaria que me dissessem. Aquilo que gostaria que lessem ao olharem bem nos meus olhos, sem que fosse preciso pronunciar uma só palavra.
Escrevo pros outros. Pras pessoas que não conheço, para que saibam que naquelas linhas existe alguém vagando. Para que me achem bonita ou feia, boa ou má, mas que achem, simplesmente.
Escrevo pros meus amigos porque o amor que despertam em mim tem vida própria e me conduz a fazê-lo. Quando me dou conta, estou amando-os através dos meus versos livres.
Escrevo pros amores que tive e que tenho. Descrevo em versos o sentir que eles despertam em mim. Minhas declarações de amor silenciadas.
E quando escrevo e destino a alguém, já não é mais minha aquela poesia, mas sim do outro. E, mesmo sabendo que sendo deles, podem fazer dela o que bem queiram, eu sempre espero que a guardem, pois cada linha que escrevo leva um pouco de mim, de quem fui e de quem sou. Eu sempre estou implícita no mínimo que escrevo.
Sim, sou bem feliz assim, ainda que a minha escrita expresse em algum momento conote o contrário. Nada me faz sentir tão viva e contente que o ato de escrever. É nessa relação intima que preencho as lacunas que vão surgindo no meu percurso.
É com a escrita que me permito ser insana sem ser apontada.
É na minha poesia transbordante que me desnudo, me reconheço, me apresento e que sinto o meu sentir mais intenso. Mais que isso, é com a minha escrita que acarinho, afago, me desculpo, presenteio. Nos meus versos vão a minha mais pura essência, seja ela atrativa ou repulsiva.
Escrevendo, meu coração mantém-se mais vivo. E eu me mantenho mais firme e certa de quem sou e para que estou aqui. E eu estou aqui para escrever.
Palavra por palavra...
Por fim a noite chegou. A chuva cessou e, convicta de quem sou, acarinhei a mim mesma com uma pílula de tarja preta e me pus embaixo das cobertas, fechando-me à leitura, como se fosse um livro espesso, o qual se lê por etapas.
Fiquei alguns momentos quieta, até que o sono calou-me como ao fim de uma poesia. E eu descansei tranqüila nessas linhas que me acolhem...


Lai Paiva

15 de janeiro de 2012

Interessa



Meu beijo espera
Meu cheiro se altera
Meu riso enaltece
Meu humor se engrandece
Meu corpo veste
Meu querer se despe
Meu sentir nomeia
Meu chamar se permeia
Meu contar apressa
Meu estar se confessa
Meu amor interessa
Se interessa por ti...

Lai Paiva


14 de janeiro de 2012

Cadê?


Passei pra olhar
Não vi
Tentei dizer
Silenciei
Esperei sentir
Sonhei
Quis tocar
Guardei
Caminhei pra lembrar
Vivi
Escrevi pra contar
Mandei


Lai Paiva


Olhos nos olhos


Num piscar de olhos
Os meus olhos nos seus
E os seus em nós dois
Naquele momento nosso
De sermos apenas nós
Ao lado de cada um
E dentro desse sentir
Que trazemos aqui conosco...

Lai Paiva

Em nós



(Manet)

Somos esta saudade escrita
Sentida e nutrida nos lábios
Lábios que sibilam o sentir
Um sentir que é parte de nós
A parte de um que há no outro
E que faz com estejas aqui
Que conduz as nossas presenças
Pra estarem de abraços dados
Ainda que os braços se ausentem...

Lai Paiva